sexta-feira, 27 de abril de 2012

#labpc #encontro2

Data: 20/03/2012
Texto: Internalização das funções psicológicas superiores, Lev Vygotsky - A formação social da mente

Lev Vygotsky apesar de ter sua formação em Direito teve uma grande influência no campo da psicologia através de suas pesquisas onde acreditava que o desenvolvimento intelectual está ligado as interações sociais e as condições de vida.


Podemos definir como funções psicológicas superiores ou processos mentais atividades cerebrais como lembrar de algo, fazer comparações, reflexões e etc... inerentes dos seres humanos. Tais atividades são definidas como reflexos condicionados, pois o cérebro, mais precisamente o córtex cerebral, analisa e processa um conjunto de condições possíveis para se realizar uma determinada ação.


Lev Vygotsky investigou como o uso de signos e instrumentos se articulam no desenvolvimento cultural da criança e propôs três condições para esta articulação. A primeira diz respeito a situação análoga existente entre signo e instrumento, a segunda trata das suas diferenças e a terceira tenta demonstrar o elo psicológico existente entre as duas.


A analogia existente entre o uso de signos e instrumentos é justamente a função mediadora que eles exercem as atividades. Os signos atuam como mediadores de atividades psicológicas (lembrar, comparar, etc...) e os instrumentos mediam o trabalho do homem. Estas definições estão ligadas a um conceito maior que chamamos de atividade mediada como mostra a imagem.




Podemos exemplificar o uso de signos ligado a uma atividade mediada com o exemplo de se atar um nó com um pedaço de pano no dedo. O signo atribuído ao nó serve como mediador na atividade de lembrar algo. Já um machado como instrumento extende a capacidade da mão humana em cortar uma árvore.

A segunda condição colocada por Vygotsky determina que a diferença essencial entre signos e instrumentos é que os signos são operações internas e não mudam o objeto da atividade. Ou seja, atar um nó no dedo não muda o que a pessoa tem que lembrar porém estabelece uma ligação que auxilia a memória para recuperar informações. Já os instrumentos são orientados para operações externas e necessariamente levam a alterações no objeto da atividade. Usar um machado para derrubar uma árvore.


Por último temos o elo psicológico entre as duas atividades que consiste na ligação entre os seus desenvolvimentos na filogênese e ontogênese. Esta ligação ocorre com base no desenvolvimento da espécie humana (filogenia) e no desenvolvimento individual proporcionado pelas interações do homem com o meio físico e social. Estes processos ocorrem mutuamente, visto que o homem ao alterar a natureza ele também altera a natureza do próprio homem. Podemos exemplificar com os nossos ancestrais na idade da pedra. Com a criação de uma lança com uma pedra pontiaguda foi possível extender a capacidade de caça. Isso altera também a natureza do homem no que diz respeito a forma que ele irá caçar e cria um ambiente para se pensar como retirar a pele do animal por exemplo. Neste momento é possível que o indivíduo tenha internalizado o significado de uma lança e isso passa a ser um conceito em sua mente. E assim vão se criando relações sociais e individuais cada vez mais complexas.

Vygotsky chama de internalização a reconstrução interna de uma operação externa. Tomemos o estágio inicial de um bebê e o desenvolvimento do gesto apontar. Ao levantar o braço para pegar algo que está fora do seu alcance o bebê estabelece uma operação puramente externa. Quando a mãe vê este movimento e entrega o objeto para o recém-nascido ele entende que a ação de tentar pegar algo desencadeou uma resposta de outra pessoa. Neste momento a tentativa malsucedida de pegar um objeto se transforma em um movimento intencional dirigido a outra pessoa
transformando o ato de pegar no gesto de apontar. A internalização de conceitos não é uma tarefa simples e exige demasiado esforço para ocorrer. Existem operações em que o estágio de atividade externa dura para sempre.


Este processo pode ser descrito em três etapas:

  1. Uma operação que inicialmente representa uma atividade externa é reconstruída e começa a ocorrer internamente;
  2. Um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal;
  3. A transformação de um processo interpessoal num processo intrapessoal é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento.
O que procuramos compreender em nossa pesquisa com o projeto UCA é como pode ser realizada uma tarefa no computador que viabilize a internalização de conceitos pelas crianças aprendidos na escola. Ou seja, como fazer uma criança aprender a somar tendo uma atividade mediadora no computador que forneça uma maneira alternativa ao aprendizado.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Iniciando no mundo Java

Hoje em dia deve ter mais ou menos uns 5 anos que tenho interesse por assuntos digitais e isso vem aumentando a cada dia pelas infinidades de coisas em potencial a serem feitas para o mundo utilizando o conhecimento computacional.

Nesse tempo me dediquei ao desenvolvimento de coisas que apenas os navegadores compreendiam utilizando HTML, CSS,  Javascript e sua biblioteca JQuery, algumas coisas com Actionscript 2.0 e por último o meu favorito: trabalhar páginas dinâmicas criando um diálogo cliente - servidor - cliente com PHP.

A ascenção dos smartphones (superando até mesmo a venda de PC's e notebooks) abriu ainda mais um pouco a minha cabeça para sair desse mundinho virtual congelado em páginas web interpretadas por navegadores. Claro que a convivência com pessoas que considero peças chave nesse processo de aprendizagem consolidou ainda mais o que eu quero buscar. Enfim, inicio aqui meus estudos com JAVA e vamos ver no que vai dar.


Um poquinho de história

O Java, uma linguagem de programação orientada a objetos, teve seu início em 1991, na empresa Sun Microsystems, através dos mentores Patrick Naughton, Mike Sheridan, e James Gosling. No início o projeto era conhecido como "Green Project". A idéia dos caras era de tentar antecipar uma nova tendência no mundo computacional. Os idealistas do projeto acreditavam que em breve seria inevitável a convergência dos computadores com os eletrodomésticos e para provar a viabilidade da idéia desenvolveram um protótipo chamado *7 ("StarSeven") e batizaram a linguagem de programação que rodaria nele de "Oak".


Este era um controle remoto com uma tela touchscreen que tentou-se vender na época como um dispositivo que permitisse que o telespectador interagisse com o conteúdo exibido na TV a cabo.
Era um projeto muito visionário para a época e os grandes empresários nem conseguiram entender o potencial deste dispositivo e necessitaram de presenciar o grande salto da Internet para assimilar a engenhosidade do projeto.
A partir de então foi lançada uma versão para a internet batizada de Java e rapidamente foi disseminada crescendo o número de usuários e recebendo suporte de gigantes como a IBM.

A tecnologia Java  hoje em dia pertence a empresa Oracle e está presente em applets embutidas nos web-browsers, smartphones, desktops e em servidores de aplicações para internet.

Deixando o passado um pouco de lado 

O Java estabeleceu não só uma nova linguagem de programação mas um conceito "Write once, run anywhere". Esta perspectiva de portabilidade praticamente encheu os olhos dos desenvolvedores que hoje em dia se encontram na casa dos milhões espalhados pelo mundo.

A portabilidade da linguagem Java somente foi possível pelo fato de ele rodar em uma máquina virtual (Java Virtual Machine, JVM) que pode ser emulada por qualquer sistema que suporte C++.
Para que um programa escrito em Java funcione é necessário se ter a máquina virtual java (JVM) e um conjunto de biblioteca de classes padrão. Este pacote é conhecido como Java Runtime Enviroment (JRE) que uma grande parte de usuários de computadores conhece, acredito eu.


Este esquema traduz o conceito "Write once, run anywhere" e na prática nós temos um programa que utiliza a sintaxe do JAVA que pode ser escrito utilizando uma IDE com um compilador embutido que procurará erros e só ira compilar o código se tudo estiver correto. Após compilar o código o compilador gera o bytecode. Este código é o mesmo independente de qualquer que seja o hardware ou software onde irá rodar pois quem irá interpretá-lo e executá-lo é a JVM. Resumindo, qualquer coisa que tenha uma JVM instalada será capaz de interpretar o código java.

Acho que da para encerrar aqui uma breve introdução e pretendo continuar com menos teoria e mais prática. Vamo que vamo !!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

#labpc #encontro1

Data: 20/03/2012
Texto: Gênese e Estrutura na Psicologia da Inteligência, Jean Piaget

No decorrer do texto são utilizados termos que é importante sabermos do que se trata de antemão. O autor define uma estrutura como um sistema que apresenta leis ou propriedades de totalidade enquanto sistema e que são diferentes de das leis ou propriedades de seus elementos. Uma estrutura se encontra como um sistema parcial em relação a um sistema maior. Um ótimo exemplo para explicar a noção de estruturas é a organização de uma célula bacteriana por exemplo.



Uma célula como esta possui suas próprias propriedades e leis (morfologia, estrutura, movimento, reprodução, etc...) que a caracterizam como um sistema totalizante. Porém tais propriedades e leis diferem das de seus elementos (organelas). E por fim uma célula bacteriana se encontra como um sistema parcial de um sistema maior, uma colônia de bactérias por exemplo.

Um outro conceito a ser tratado é o de gênese que podemos entender como uma transformação de um estado A para um estado B sendo que o último é mais estável que o primeiro. Esta definição não apresenta um começo absoluto e sim um sistema relativo de transformações em uma história contínua.

O estudo do desenvolvimento no campo da psicologia tem no início uma forte influência da biologia devido as primeiras teorias genéticas focalizarem o desenvolvimento através do que chamamos de geneticismo sem estruturas.
No campo da biologia temos o lamarckismo onde o organismo sofre alterações sem cessar sob influência do meio externo e nenhuma estrutura interna é capaz de resistir ou interagir com essas alterações. Na psicologia temos essas alterações aplicadas a vida mental, ou seja, um organismo plástico modificado continuamente, sem que alguma estrutura interna intervenha neste processo. Tais modificações ocorrem através da aprendizagem, das influências exteriores, do exercício ou da experiência no sentido empírista do termo.

Em um segundo momento surgiu um movimento na biologia iniciado por Weismann no sentido de um esturturalismo sem gênese. Segundo Weismann a evolução é condicionada apenas pela mistura dos genes internamente sob a influência do meio externo. No campo da psicologia esse conceito foi aplicado pela teoria da Gestalt que coloca que o desenvolvimento mental é determinado pela maturação, sendo as estruturas permanentes e independentes do desenvolvimento.

Jean Piaget após quase 40 anos de pesquisa a respeito da psicologia da criança elaborou suas teses que partem do princípio de que toda gênese parte de uma estrutura e chega a outra estrutura. Esta definição propõe que o aprendizado sempre está condicionado a fusão de estruturas elementares que possuem características parciais de estrutura maior que seria a estrutura final. A essa fusão se atribui o nome de gênese partindo de um estado mais elementar e chegando a um estado mais complexo.
Piaget também chega a conclusão que estrutura e gênese são indissociáveis pois não existem estruturas inatas no ser humano e a construção de qualquer estrutura pressupõe uma cadeia de estruturas anteriores até se chegar no nível biológico.

Para explicar de forma mais clara como uma estrutura mais simples antecede uma estrutura mais complexa através do processo de gênese, Piaget coloca a hipótese acerca do equilíbrio.
O autor defini equilíbrio de acordo com 3 características:
  1. O equilíbrio é móvel: como em química ou física a noção de estabilidade se caracteriza por ações em sentido contrário que se compensam e ficam equilibradas. Na psicologia esta definição é importante pois temos no sistema operatório uma série de operações essencialmente móveis e que podem ser estáveis a medida que se cristaliza e se constitui enquanto estrutura não se modificando mais.
  2. Compensações: todo sistema é propício a sofrer pertubações externas que tendem a modificá-lo. A noção de compensação está ligada as ações do sujeito em atingir o equilíbrio compensando internamente as pertubações externas.
  3. O equilíbrio é ativo: o estado de equilíbrio sempre precede um processo ativo de resistência as pertubações externas e compensações internas as pertubações. 
Assim definido, o equilíbrio permite uma síntese entre estrutura e gênese. Concluí-se que o equilíbrio é um sistema de compensações progressivas e que quando alcançadas a estrutura está constituída em sua reversibilidade.

Com testes realizados com crianças Piaget chegou a conclusão que o aprendizado esta submetido a três fatores levando em consideração neste exemplo a conservação da matéria:
  1. Maturação: diz respeito as estruturas internas que indicam o preparo ou não do sujeito para aprender novos conhecimentos;
  2. Experiência física: experiência através da manipulação dos objetos no sentido empírico;
  3. Transmissão social: pode acelerar o processo de aprendizagem mas não é capaz de introduzir do exterior uma estrutura lógica nova. Significa que as noções de conservação somente serão compreendidas pela criança através da sua própria experiência.
Concluí-se que o processo de equilibração segue etapas através de uma sucessão temporal em busca da cristalização de uma estrutura onde a etapa vigente sempre será reflexo da etapa anterior.

Em relação ao projeto de pesquisa este texto deixa clara as perguntas que teremos que responder ao entender qual o "estágio mental" das crianças nas escolas que participam do UCA. Deveremos compreender:
  1. De quais estruturas partimos?
  2. A quais estruturas desejamos chegar?
  3. Como investigar a gênese dessas estruturas?
  4. Como equilibrar a maturação, experiência e transmissão social?

Grupo de Estudos do Laboratório de Psicologia da Computação

Há cerca de um mês foi montado um grupo de pesquisa dentro do Laboratório de Psicologia da Computação (LabPC). O LabPC fica na Universidade Federal do Espírito Santo. Mais precisamente no Centro de Artes no prédio Cemuni IVdo Departamento de Desenho Industrial.

O grupo formado pelos alunos Fernando Gatti, Joyce Carmo, Mariane Rocha, Vinícius Bispo e orientado pelo Professor Hugo Cristo tem como objetivo uma pesquisa que envolve os projetos UCA e OLPC no Espírito Santo.

Essa pesquisa se baseia na tentativa de entender como o pensamento computacional pode melhorar a vida das pessoas já que vivemos em uma época onde a tecnologia pode ser considerada acessível, seja por computadores, dispositivos móveis, entre outros.

A parte conceitual se desenvolverá com a discussão de textos onde tentarei expôr o meu entendimento e o próprio andamento da pesquisa neste blog, acessível a todos que se interessarem. Organizarei cada momento de discussão pelo seu devido encontro usando a nomenclatura #labpc #encontro1, #labpc #encontro2 e assim sucessivamente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

learning processing #introduction

Os integrantes do Núcleo de Interfaces Computacionais iniciam uma jornada de estudos de Processing com encontros semanais ( por enquanto toda quinta às 9:00 hs ) de discussão e produção seguindo a didática do livro Learning Processing de Daniel Shiffman.

Mas o que é esse tal de Processing ?
"Processing é uma linguagem de programação open source desenvolvida para pessoas que querem programar imagens, animações e sons. É usado por estudantes, artistas, designers, arquitetos, pesquisadores e pessoas que gastam seu tempo livre aprendendo, prototipando e produzindo coisas. Foi criado para ensinar fundamentos de programação em um contexto visual e para servir como um desenvolvedor de softwares e produzir suas ferramentas. O Processing foi desenvolvido por artistas e designers como uma alternativa de desenvolver ferramentas computacionais para os seus domínios."
www.processing.com.br

Você que trabalha com design gráfico, pinturas, arquitetura, esculturas, vídeos, web, illustração, entre outros provavelmente está familiarizado com programas como Photoshp, AutoCAD, Maya, Premiere, Illustrator, After Effects e assim por diante. O único "problema" é que estamos sempre fadados a desenvolver nosso trabalho utilizando softwares que vem com um pacote fechado de ferramentas que de certa forma limitam a execução do processo criativo, que significa por em prática de fato as idéias pensadas.

E porque não desenvolvermos nossas próprias ferramentas ?

A Teoria do Design Computacional entende que
"o projeto circunscrito ao universo da high road é apenas uma face do problema de design dos sistemas computacionais, de forma que seus produtos finais estão naturalmente limitados a um conjunto de possibilidades técnicas já previstas na própria forma de operação da plataforma utilizada. Vale ressaltar que não se está questionando o papel fundamental da criatividade do designer na dobra ou ruptura desses limites."
Como sugere Meira (2010)
"Se você não souber escrever software – e não se trata de usar uma linguagem de programação sofisticada, complexa, mas saber qual é o software da sua profissão e como se ajuda a escrevê-lo –, definitivamente terá um problema de competitividade no futuro próximo.

Se você imaginar que conseguirá sobreviver sem saber programar em um mundo totalmente programável, está sendo basicamente levado pelos acontecimentos. Está sendo um objeto."

Processing tem suas raízes no Massachusetts Institute of Technology - MIT desenvolvido por Casey Reas, Benjamin Fry, John Maeda e seus alunos de graduação. Foi desenvolvido em 2001 e tem vínculo direto com o Logo e com o Design by Numbers, ambas linguagens de programação com resultados gráficos.

Resumindo, Processing é totalmente gratuito, desenvolvido em Java, open source, tem saída direta para MAC's e PC's e está iniciada a nossa jornada de estudos e a que quiser acompanhar sinta-se a vontade.

Material:
Livro Learning Processing - (PDF)
Site de Apoio

domingo, 4 de setembro de 2011

Hello blog world !!!!

Olá mundo dos blogs. Criei este blog com o intuito de desenvolver a prática da escrita e também poder compartilhar informações com o mundo, o que julgo essencial para uma construção cada vez mais eficaz do que chamo de conhecimento. Agora é sentar a bunda na cadeira e escrever, pelo menos o primeiro passo foi dado. Para onde isso vai serão cenas dos próximos capítulos. Até.